terça-feira, 4 de maio de 2010

História ou Estória?

" A realidade é inacessível, os fatos são intercambiáveis,
e o conhecimento é impossível."
" A história é ficção e (tão-somente)análise textual"
(Porque os verdadeiros fatos são escondidos, retidos em altas instâncias. E o que transparece, aparece, nem de longe lembra a realidade dos acontecimentos)

Com essas palavras, Jim Hougan, em seu livro "O último Merovíngio" (Kingdom Come),
cutuca seus leitores, através do perdido personagem - um agente da CIA, que não sabe nada sobre os acontecimentos que o tornam um fugitivo (quem sabe ele não esteve por aqui num certo palácio..hummm!).

Entre os clichês comuns nesse tipo de literatura que denuncia escusos mecanismos de atuação das Agências de Inteligência, e dos poderosos da vez, o livro valeu para mim, nessa frase que pretendo não esquecer.

Democracia? que nada... vive-se numa "Criptocracia", diz o autor-personagem. Quem discorda dele?

* * * * * * *

A vida é...

A vida é
muito importante
muito bela
muito bela
muito curta
muito séria
muito surpreendente
muito inquietante
muito monótona

Na vida o perigo é
ser moderno de mais
ser moderno de menos

É compensar carências
com aderências e guloseimas

É ser pop, hip hop, eletrônico
esquecendo de ouvir a música do "silêncio"
(- que pode vir a ser uma magnífica sinfonia-)

É ter muitos relacionamentos abertos, sem laços,
e fechar a porta do coração, emaranhando
os fios da vida.

A vida é uma viagem, uma aventura, um grande mistério

Pode-se optar em vivê-la plenamente ou dela se esconder
perdendo-se.. de si mesmo.

* * * * * * * *

Informação x Tecnologia

A revista Veja destaca em sua capa e reportagem central o Google e sua tecnologia sempre inovadora, utilizada agora para quebrar mais uma barreira: a da língua. Operando um eficiente sistema que permite a tradução instantânea de textos escritos em 52 idiomas.

Uma biblioteca infinita, e ao alcance de todos.

Não, nem tanto.

A Revista Isto É, em sua última página, com artigo do Zeca Baleiro
(sempre excelente... - eita, menino bom!),
trata de um um ângulo muito pouco observado:
O Google, e tudo o mais que a internet oferece com apenas um
ou dois cliques é muito bom.... sim, não, nem sempre.
Como alerta Baleiro, é bom para quem tem "informação prévia” -
" quem tem filtros" – e, portanto, pode peneirar os difusos e infinitos dados postados. E é ruim e mesmo pernicioso para quem não tem esse aporte cultural.

Para se criar senso crítico, filtro essencial aos navegadores da hora, necessário dois pilares fundamentais : educação e cultura – artigos de luxo desprezados (ou ainda pior, ignorados) pela maioria que não tem a mínima idéia do seu valor.

“- De que vale ter acesso a informação se não há estofo para julgá-la(?)"... diz o Zeca, muito antenado.

Eu, assino embaixo.

________________________
BALEIRO, Zeca. O Google, minha amiga Joana e o mundo. Isto É, nº2111, 28
abr. 2010. p.122
PAVÃO JR., Jadyr. A língua do Google. Veja, nº18, 5 maio 2010. p.122-131